segunda-feira, 24 de novembro de 2008

A GRANDE FAMÍLIA REBOUÇAS

Um recente email me motivou a escrever sobre a Família Rebouças. Não tinha feito antes por acreditar que essa historia fosse até mais conhecida que a de outras personalidades negras. Infelizmente não, pois são nomes de vias publicas, sem a devida explicação didática.
A Historia dos Rebouças começa ainda no período de escravidão negra. Especificamente no estado da Bahia, com o feliz, mas humilde casal Gaspar Pereira Rebouças e Rita Basília dos Santos. Ele um comerciante e ela uma dona de casa. Desse matrimonio nasceram os meninos José, Manuel e Antônio.
Ao crescerem os filhos optaram cada por um caminho profissional. O primogênito – José tornou-se uma excelente violinista e compositor, conseguindo inclusive excursionar pela Europa. O filho do meio – Manuel Mauricio optou no inicio por uma carreira no serviço publico exercendo a função de escrevente de Cartório na cidade baiana de Jaguaripe. Mas depois resolveu estudar na França, de onde retornou ao Brasil com o titulo de bacharel em ciências e doutor em medicina. Fez sucesso como professor de botânica e zoologia na Escola de Medicina da Bahia. Virou Cavaleiro da Ordem de Cruzeiro ao combater a epidemia da febre amarela e cólera no século XVIII.
Antonio Pereira Rebouças – o caçula optou pela política, tendo se tornado um deputado, representando o estado da Bahia, por 43 anos. Foi autor de uma lei em 1837 proibindo o tráfico de escravos em território nacional e chegou a receber o titulo de Conselheiro do Império do Brasil. Morreu em 1880. Mas entre seus oito filhos se destacam dois André e Antonio Rebouças.
Os meninos estudaram e se tornaram Bacharéis e Ciências e Matemática, engenheiros e se especializaram na França. Antonio se tornou especialista em construção de estradas, sendo inclusive responsável pela construção da estrada de Graciosa de Antonina e Curitiba. Viajou ainda pela Colômbia e outros países da América Latina como secretario diplomático. Assumiu no estado do Paraná a função de engenheiro-chefe, tornando-se responsável pela estrada de Curitiba a Guarapuava e baixo Ivaí. No estado de São Paulo foi supervisionou a construção da estrada Campinas, Limeira, Rio Claro. Mas devido à carga excessiva de trabalho, aos 35 anos de idade, Antonio morreu quando fazia estudos para a construção de uma ponte sobre o rio Piracicaba.
André se tornou professor da escola Politécnica no Rio de Janeiro e construiu as primeiras docas dos portos do Rio de Janeiro, Pernambuco, Paraíba, Maranhão e Bahia. Foi ainda responsável por projetos governamentais para sistemas de abastecimento de água para populações urbanas. André é ainda reconhecido como um especialista e mecânica de solo e na utilização do cimento Portland.
Mas o lado mais conhecido de André foi sua participação no Movimento Abolicionista ao lado de figuras como Joaquim Nabuco e Rui Barbosa. Como jornalista militante contra escravidão teve artigos publicados nos jornais: Gazeta de Noticias, Jornal do Commercio e Gazeta da Tarde.
Era tido como ótimo articulador político e era um dos defensores da reforma agrária brasileira, mas destinadas aos negros a serem libertados e aos já alforriados como forma de evitar que fosse para a miséria.
A tão sonhada Abolição aconteceu em 1888, mas por sua opção monarquista, teve problemas políticos e acabou se auto exilando junto com a família real e Dom Pedro II na França. E não demorou a se empreender em mais uma luta – passou seus últimos seis anos de vida na tentativa de desenvolvimento urbano de alguns paises africanos.
Num fato pouco explicado André Rebouças, aos 60 anos, faleceu aparentemente afogado na Ilha da Madeira. Há quem diga que tenha sofrido um acidente e outros argumentam que foi suicídio, apesar de não ter deixado carta alguma.
André Rebouças foi ainda oficial engenheiro durante a Guerra do Paraguai. Nasceu em Cachoeira, estado da Bahia, em 1838.
Texto de MARCO ANTONIO do Blog Marco Negro

3 comentários:

A dona do blog disse...

Sugiro que você leia o livro: "O fiador dos brasileiros". Lá você conhecerá mais a fundo a história dos meus antepassados e verá que não foi nada fácil a vida deles. E que mesmo tendo conquistado notoriedade por seus trabalhos e por prestarem grandes serviços à nação, o preconceito de cor nunca deixou de acompanhá-los.
abs,
L.Rebouças

Fernanda disse...

Olá Estou procurando os familiares de Antônio Pererira Rebouças, pois ele será homenagiado na Câmara de Sumaré, no dia 26 de julho de 2009. Se puderem entrar em contato agradeço.
e-mail: imprensa@camaradesumare.sp.gov.br

Essência D´Guerrilha disse...

Valeu ... agradecemos de coração !!! E será um prazer procurar este livro e le-lo .